quarta-feira, 9 de abril de 2014

Em defesa do direito à separação do Leste ucraniano e sua unificação com a Rússia. Derrotar o governo golpista e pró-imperialista imposto em Kiev!


Por Liga Bolchevique Internacionalista

Há cerca de um mês da unificação da Península da Crimeia com a Rússia, abre-se mais um capítulo no cenário político da Ucrânia, onde diversas cidades se levantam contra o domínio dos neo-nazistas pró-ianques, principalmente na altamente desenvolvida região Leste do país. Na cidade de Kharkiv milhares de manifestantes ocuparam sedes do governo local, em Donetsk e Lugansk inúmeros prédios públicos foram tomados de assalto. Para se ter uma dimensão exata do processo, Donetsk é o mais importante polo industrial do país com uma grande concentração proletária, o qual já decretou a independência, se autointitulou Republica Popular e marcou através de sua ação direta um “referendo” para o dia 11 de maio acerca da sua incorporação à Rússia. Estas regiões não aceitam o “comando” do país pelo golpista neo-nazista Oleksander Turchinor, não por uma simples causa “étnica” como quer passar o conto de sereia da mídia “murdochiana”, mas sim como produto da corajosa determinação do proletariado do Leste ucraniano em combater o governo imposto pela Casa Branca. A radicalização foi tão intensa que em Lugansk manifestantes mantiveram como reféns 60 agentes no prédio da sede local do Serviço Secreto da Ucrânia, se valendo do uso de dinamites e com armas em punho, prometendo resistir com todas as suas forças à repressão. Neste contexto explosivo, não foi à toa que o imperialismo lançou suas ameaças através do Secretário Geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen: “Se a Rússia intervir mais na Ucrânia será um erro histórico... Teria graves consequências para nossa relação... e a isolaria ainda mais internacionalmente” (O Estado de S.Paulo, 8/4). Logo, os estrategistas do Pentágono em socorro a Kiev trataram de “arrefecer” os ânimos das massas através de dura repressão, se valendo de militantes neo-nazistas (“Setor Direito”) e tropas mercenárias norte-americanas (“Blackwaters”) – as mesmas que foram responsáveis por terríveis massacres no Iraque ocupado. O Kremlin lançou um comunicado no qual pede “imediatamente o fim quaisquer ações militares, que aumentem o risco de uma guerra civil” (Russia Today, 7/4), elevando o nível das tensões militares na região.

Donetsk é a cidade natal do presidente Viktor Yanukovich deposto pelos neo-nazistas em 22 de fevereiro, faz parte do leste ucraniano região considerada como o “coração” industrial do país que além de possuir uma classe operária extremamente concentrada comporta a maioria russa, razão pela qual se transformou em um grande centro de repúdio ao governo golpista recém-instalado em Kiev. O que para o imperialismo é algo “ilegal” como alerta o garoto de recados dos “Falcões” J. Kerry, “O que vemos da Rússia é um esforço ilegal e ilegítimo para desestabilizar um Estado soberano e criar uma crise artificial”, para a classe operária é a forma de resistir à ofensiva neo-nazista que visa incorporar a região aos interesses das grandes corporações americanas e europeias. Desde a Praça Lenin (símbolo o qual a mídia “murdochiana” procura ao máximo ocultar de seus noticiários!), os manifestantes que ocupam há três dias o prédio do governo local proclamaram um “governo popular”, independente, desfraldando bandeiras russas e comunistas. Os levantes do Leste ucraniano como podemos constatar, apesar de seus limites intrínsecos colocam, por terra a tese estúpida dos morenistas que afirmam categoricamente “a voz dos trabalhadores não se fez ouvir” (site PSTU, 3/7), mas caracterizam oportunística e fraudulentamente que houve uma “revolução” na Ucrânia, postando-se com a maior cara de pau no campo do imperialismo, tal como aconteceu na Líbia, Egito...!

Evidentemente que o caráter de classe do governo russo o coloca no campo do limitado enfrentamento com o imperialismo, mas os revolucionários não podem ficar “neutros” diante da ofensiva fascista em todo o planeta e em particular sobre o território ucraniano em uma concreta possibilidade de guerra. Nós, Marxistas-Leninistas estaremos na trincheira de guerra do governo Putin, lutando no mesmo campo militar, contudo com total independência política face às hesitações e covardia das burguesias nacionais diante da possibilidade de um conflito em escala regional e consequentemente ampliado em nível mundial. Na atual conjuntura mundial, uma derrota do imperialismo num conflito bélico seria um excelente estímulo, um fermento para a luta de todos os povos do planeta em direção à destruição do monstro ianque e seus sócios europeus. Ou seja, a derrota do imperialismo é um norte estratégico para os revolucionários e ativistas anti-imperialistas de todo o mundo. Façamos nossas as palavras do “velho mestre”: “Os revolucionários proletários não devem nunca esquecer o direito das nacionalidades oprimidas a dispor de si próprias, inclusive o seu direito à completa separação, e o dever do proletariado da nação que oprime a defender este direito, inclusive, se necessário, com armas na mão!” (Leon Trotsky, O Problema Nacional e as Tarefas do Partido Proletário, abril 1935). Por esta razão estamos pelo direito a separação do leste ucraniano e por sua unificação com a Rússia, chamando o proletariado de Kiev a derrotar o governo fascista e golpista made in CIA.

Desta forma, seria criminoso por parte de um partido revolucionário adotar o abstencionismo como estratégia ou se colocar descaradamente no campo programático das “revoluções democráticas” levadas a cabo pela CIA ou aclamando a chuva de bombas da Otan como ardorosamente defende a canalha morenista. Na Ucrânia, a exemplo da Líbia, delineia-se mais uma guerra de rapina para tomar os recursos energéticos controlados pela Rússia que foi transformada em uma semicolônia após a destruição contrarrevolucionária da URSS. A derrota do governo golpista imposto pelo Departamento de Estado norte-americano é um primeiro passo para a vitória do proletariado ucraniano e russo diante da ofensiva nazi-fascista que assola o mundo inteiro insuflada pelo “falcão negro” Obama e um exemplo a ser seguido pela classe operária internacional.

terça-feira, 4 de março de 2014

CHUTANDO O PAU DA BARRACA...





Por Carlos Alberto Bento da Silva
Jornalista - MTb 4028/SC


A ideologia de um militante não é aquela que está incrustada forçosamente na mente do universo pensante de seus desafetos ou adversários políticos, e sim, é a aquela que está no seu gene mental, no seu coração e na sua origem...

Ademais, as manipulações sempre provem de ervas daninhas que infestam a natureza legítima dos movimentos sociais verdadeiros e, não aqueles fabricados... 

Para os oportunistas, diante de uma legislação fragilizada, torna-se muito fácil criar um movimento social da mesma causa, sobre outro já existente, e a seguir fundar uma ONG picareta...

Dentro deste paraquedismo pirotécnico e oportunista "trocentas” ONGs se "trucidam" atrás de verbas públicas para o enriquecimento privado e ilícito de seus dirigentes. Um verdadeiro assalto aos cofres público...

Seria oportuno uma CPI ("transparente") das ONGs, que faça uma devassa nas prestações de contas dos últimos 10 anos e proponha mudanças radicais no estatuto do chamado 3º Setor, proibindo o uso de dinheiro público para funcionamento dessas máquinas criminosas...

Este evento investigativo iniciaria com a indisponibilidade financeira e dos bens de todos os "dirigentes" e laranjas dessas entidades alienígenas...

A tarefa e, a obrigação política e social no país cabe unicamente as esferas federais. O resto são ações criminosas a serviço de interesses escusos que catapulta partidos políticos e seitas religiosas que, sob o manto de "o estado é laico" e de uma legislação nefasta, criam legiões de fanáticos e verdadeiras quadrilhas financiadas pelo erário...

Não obstante, vale lembrar que o Brasil é talvez o único país do mundo que permite tamanha aberração...

Aqui, ONGs se alastram pelo interior do Brasil e nele se instalam como verdadeiros donos da verdade e, ao arrepio da lei ditam regras e caminhos escusos aos interesses das comunidades urbanas, do campesinato e de nações indígenas, como se fossem autoridades oficiais, caracterizando assim uma completa inversão de papéis...

 Não se trata, neste caso, desta matéria, estar firmando um pensamento nacionalista exacerbado, muito pelo contrário, o de apenas impedir os crimes de lesa-pátria protagonizados por falcatruas a serviço de dogmas perversos, de setores fascistas existentes, e de nações imperialistas acobertadas, que historicamente dizimam o nosso povo dentro de suas estratégias abomináveis...

Na atual conjuntura política e social que o Brasil atravessa, essas ONGS servem apenas para impedir o crescimento dos verdadeiros movimentos sociais e de partidos políticos de matiz marxistas revolucionários e populares, sendo que, dispensar essa interferência de “Judas” e de “apêndices da burguesia”, é salutar e estratégico, para uma confiante busca permanente de justiça social e do socialismo enquanto ideologia sem classes...

Numa avaliação inicial e sem critérios científicos, tornam-se muito fácil entender os reclamos e nossa indignação frente à falta de verbas para investimentos na educação planificada, na moradia, na reforma agrária, na demarcação de áreas indígenas e na saúde pública, como elementos fundamentais na busca da igualdade social...

A copa dos ricos e os subsídios governamentais para atividades religiosas recentes e, a criação de ministérios de governo sem projetos e recursos que justifiquem a sua criação, e o desvio de dinheiro público para a educação privada, são indícios próprios de governos fisiologistas, corruptíveis, exibicionistas e egocêntricos, a serviço das classes abastadas e do imperialismo internacional...

A criminalização dos movimentos sociais legítimos, com a reedição “camaleão” de instrumentos jurídicos repressivos que, aliados a um aparato militarizado, de uma imprensa com bandeira entreguista e de teor fascista, sem qualquer forma de “freio” ou regulamentação estatal para o seu devido objetivo, são um atentado hediondo contra os direitos humanos e contra a democracia constitucional, pois ferem a lei da probidade administrativa, da moral e da ética na política e, se caracterizam como formação de quadrilhas e terrorismo de estado...

Criar uma CPI sobre os desvios de funções do STF, outra CPI sobre o papel constitucional das FFAA, extinguir as Policias Militares no Brasil, e acabar com o “instituto” do ‘direito’ de reeleição para cargos eletivos federais e estaduais, incluindo a presidência da república e a extinção do Senado, é um anseio concreto no universo pensante da população...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

30 anos do MST: Do ascenso das ocupações de terra pela reforma agrária a um obstáculo na luta pela revolução agrária no Brasil


Por Liga Bolchevique Internacionalista

Iniciou-se na segunda-feira, 10 de fevereiro, o 6º Congresso Nacional do MST, celebrando seus 30 anos de fundação. Tendo como lema “Lutar, construir Reforma Agrária Popular”, 15 mil militantes e ativistas participam de sua maior instância de decisão. Segundo a direção do MST, o principal objetivo do Congresso Nacional do MST é “discutir e fazer um balanço crítico da atual situação do movimento, traçar novas formas de luta pela terra, pela reforma agrária e por transformações sociais, além de comemorar seus 30 anos de existência. Também será um momento de reafirmar um novo programa da Reforma Agrária para o país: a Reforma Agrária Popular”. No dia 13/02 acontece um ato político com a participação de movimentos sociais, intelectuais e de representantes do PT, PCdoB e PSB-Rede como os governadores do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e do Amapá, Camilo Capiberibe, além do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que buscam o apoio do MST para as candidaturas de ambos partidos. João Pedro Stédile inclusive já declarou publicamente que o MST tem simpatia por Dilma e Campos que representariam um mesmo “projeto popular” contra a candidatura tucana de Aécio Neves. Só esta declaração em apoio a presidenciáveis sem qualquer compromisso com a reforma agrária e a completa paralisia do MST durante os governos Lula/Dilma já são um bom debate a ser tratado no seio do Movimento. Para além destas questões, faz-se necessário fazer realmente um balanço militante e crítico do MST, refirmando que desde já nos colocamos publicamente contra qualquer ataque do aparato repressivo do Estado burguês e seus governos, sejam de “esquerda” ou de “direita” aos militantes do MST que lutam contra o latifúndio.


O MST surge impulsionado pela luta contra a conservadora modernização capitalista que dominou a agricultura brasileira nas décadas de 60 e 70 e aguçou os conflitos agrários, mantendo a arcaica estrutura do grande latifúndio e explorando ainda mais o trabalhador rural, principalmente nos estados de São Paulo e no Sul do país, onde nasceu o embrião do movimento. Sua origem está diretamente vinculada à ascensão de um sindicalismo combativo em contraposição ao velho peleguismo, ao avanço da influência da igreja no movimento dos trabalhadores rurais, devido o trabalho das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), além da própria fundação do PT em 1980. Apesar da radicalização de algumas ações do MST, a sua direção defende um programa essencialmente nacional-desenvolvimentista, cuja concepção reformista está muito clara no editorial da revista Sem Terra que apresenta a reforma agrária como uma causa “de todos os brasileiros e brasileiras”, e defende “construir uma nação livre, rica e justa. Uma nação de cidadãos, sem excluídos”, contrapondo a necessidade de “um projeto nacional efetivamente novo oposto ao modelo econômico adotado pelo capital internacional e aplicado no Brasil. São as ações práticas do MST que revelam sua perspectiva reformista. A defesa de ocupações somente em terras improdutivas, respeitando os limites impostos à reforma agrária pela Constituição brasileira, prova que efetivamente a direção do MST nega-se a promover uma ruptura com a institucionalidade burguesa, mantendo ilusões no apodrecido regime capitalista, buscando apenas retocá-lo.


O “Novo programa da Reforma Agrária para o país” na verdade não tem nada de novo, ele expressa a própria orientação de adaptação do MST as políticas compensatórias do governo do frente popular. Segundo o site do MST, reportando-se a 30 anos atrás,  “Naquela época, a prioridade era organizar, na luta pela reforma agrária e pelo fim do latifúndio improdutivo, a grande massa de trabalhadores pobres, recém-expulsa do campo pelas políticas ditas modernizadoras da ditadura. Hoje, é requalificar a luta histórica pela terra em um país no qual a combinação da mais oferta de emprego na cidade e políticas sociais se sobrepôs à reforma agrária como opção política para combater a pobreza, condenando esta última à invisibilidade... A questão luta pela terra hoje está fora da pauta da sociedade e do governo. Está cooptada por muitos intelectuais que acham que a reforma agrária e a luta pela terra não existe mais. Portanto, a luta pela terra está despolitizada. Ela tem acontecido, seja a luta dos indígenas, dos quilombolas, dos pescadores, a nossa luta. Mas está escondida, abafada”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST. O dirigente reconhece que o volume de ocupações diminuiu, mas atribui o fenômeno menos a desarticulação do movimento do que as pressões da conjuntura. “As famílias vão ficar esperando mais 10 anos para serem assentadas ou vão buscar trabalho nas obras do PAC. O  “novo programa do MST” apresentado pela sua direção controlar o capital especulativo, barrar as privatizações das empresas estatais estratégicas, eliminar os incentivos fiscais às grandes empresas e confiscar o ganho dos especuladores para, com esses recursos, “implementar um programa de investimentos, no apoio à pequena e média empresa, na construção de casas populares, na reforma agrária, no apoio à produção agrícola familiar, na garantia de escolas e atendimento de saúde para gerar empregos e criar um mercado interno de massas”. Todas essas medidas são justas, mas extremamente limitadas, e acabam por patrocinar a ilusão de que é possível um país atrasado e subordinado à opressão imperialista, como o Brasil, construir uma alternativa à recolonização nos marcos de um capitalismo nacional, soberano, fortalecido com “um mercado interno de massas”. Essa é uma utopia reacionária que já levou os trabalhadores a inúmeras derrotas na América Latina!

Desde a LBI compreendemos ser preciso apoiar vigorosamente as mobilizações e lutas dos sem-terra e do MST, mas para que sejamos realmente vitoriosos, para que conquistemos um país livre do jugo imperialista, onde os interesses do proletariado e do campesinato pobre se transformem em poder político, onde as massas tenham emprego e plenas condições de vida é necessário não “mudar o modelo econômico” de neoliberal para nacional-desenvolvimentista como prega a direção do MST — duas variantes políticas do mesmo capitalismo decadente — mas expropriar a burguesia e seus aliados, através do levante revolucionário das massas da cidade e do campo, construindo um Estado operário, um passo na luta pelo socialismo. Para “mudar os rumos da economia” é preciso construir a oposição operário-camponesa ao governo Dilma e forjar as condições para construir um governo operário e camponês, onde o Estado expresse, através da democracia operária, os interesses dos trabalhadores. Para defender as mínimas reivindicações operárias e camponesas, atender os interesses mais elementares das massas, é preciso enfrentar a burguesia, os grandes grupos econômicos, as FFAA e o imperialismo com um programa de ruptura com o capital, pois os interesses das classes na sociedade capitalista são antagônicos e irreconciliáveis. Um real programa operário e camponês deve defender, para tirar as massas da miséria: a reforma agrária com o confisco do latifúndio produtivo para dar terra aos camponeses pobres; todo apoio às ocupações, a nacionalização da terra; garantir terra aos sem-terra e posseiros bem como a propriedade dos pequenos produtores; a ruptura com o FMI e o desconhecimento de todos os títulos dos agiotas financeiros, com a expropriação das fábricas, terras e bancos sob o controle operário. Esse programa somente poderá ser aplicado rompendo com a democracia capitalista e suas instituições (parlamento, justiça), levando a cabo essas medidas através de organismos de poder e organização dos trabalhadores da cidade e do campo, em uma autêntica democracia de conselhos de operários e camponeses. No debate do seu VI congresso é urgente superar o atual programa da direção do MST e levantar uma orientação classista e revolucionária para os milhões de sem-terra e camponeses pobres que esperam um passo concreto e de luta em defesa de suas condições de via. Nesse sentido, a reivindicação histórica de reforma agrária defendida para garantir terra aos sem-terra é uma reivindicação justa, porque consagra o acesso à propriedade aos trabalhadores, historicamente excluídos pela burguesia e pelo latifúndio de terem um pedaço de terra para manter suas famílias e garantir suas mais elementares condições de vida. Apesar da classe operária se colocar pela abolição completa da propriedade privada, ela apóia integralmente a reivindicação dos camponeses pobres por terra contra a classe capitalista latifundiária, que também é sua inimiga histórica, estimulando a sua associação em cooperativas ou a incorporação em fazendas coletivas estatais. Dar terra aos camponeses é uma tarefa democrática incapaz de ser realizada pelo capitalismo decadente e, como essa medida altera as relações sociais no campo, os enfrentamentos entre os sem-terra e o latifúndio assumem características revolucionárias em um país atrasado como o Brasil.

Em essência, a luta pela reforma agrária radical é um choque entre a estrutura latifundiária e reacionária existente no país e a defesa da pequena e média propriedade camponesa, um embate que enfraquece o Estado semicolonial, que assenta sua dominação em uma aliança entre a oligarquia agrária e a burguesia industrial. O MST reivindica a reforma agrária apenas em terras improdutivas e acaba bloqueando a luta dos sem-terra em terras devolutas e muitas vezes sem solo agricultável. A política do MST gera até mesmo o comércio rentável das desapropriações, levando os latifundiários a receberem um valor muito superior por suas terras, pago pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a título de indenização, em função das ocupações coordenadas pelo MST em suas propriedades devolutas. Até mesmo terras em processo de desertificação recebem altíssimas indenizações do INCRA. Essa política busca estabelecer um acordo com os governos de plantão para impor uma reforma agrária sem abalar a estrutura fundiária. Ao contrário dessa política de colaboração de classes, a resposta proletária à questão da terra é a expropriação geral e revolucionária dos latifundiários sem indenização, através de milícias camponesas, pelo fim do monopólio privado da terra e a sua nacionalização, garantindo terra aos sem-terra e posseiros, bem como a propriedade dos pequenos proprietários rurais, assegurando-lhes assistência técnica, crédito subsidiado ou negativo e a comercialização da produção. O capitalismo, ao se desenvolver na agricultura, pouco a pouco vai passando para as mãos da burguesia financeira, dos bancos, dos industriais, dos grandes comerciantes e da burguesia agrária, as terras que antes eram pertencentes tanto aos latifundiários como aos camponeses pobres, apesar da maior parte do território nacional ainda estar nas mãos do latifúndio. O desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo, enquanto levou novas máquinas e técnicas para o campo, também colocou em relevo um novo proletariado agrícola que vive em condições subumanas, sendo superexplorado por seus patrões, como no corte da cana para as grandes usinas de cana-de-açúcar, responsáveis pela fabricação do álcool. As mais produtivas propriedades rurais brasileiras estão hoje nas mãos de grandes monopólios industriais e financeiros. Apenas 46 grandes grupos econômicos controlam sozinhos 20 milhões de hectares. Quase toda a produção agrícola é dominada por grandes empresas agroindustriais pertencentes em maior parte aos grandes monopólios nacionais e estrangeiros. 80% dos alimentos consumidos no Brasil, com exceção das verduras e legumes, passaram por algum processo agroindustrial. Se geograficamente a agroindústria representa pouco no que diz respeito à ocupação do solo, do ponto de vista da produção e do PIB é o setor que alavanca a economia agrária nacional. Os grandes monopólios e bancos controlam a produção agrária. Por exemplo, a produção de tomates é controlada por 4 grandes monopólios: Arisco, Gessy Lever, Círuis. O Grupo Votorantim é o maior produtor brasileiro de laranjas e a Nestlê controlam o rebanho, da produção até a comercialização da pecuária leiteira no Brasil. Nestes casos, onde há o desenvolvimento capitalista da agricultura no campo, a tarefa revolucionária dos camponeses pobres e do proletariado rural é expropriar as grandes empresas agroindustriais, sem indenização, convertendo-as em propriedade coletiva sob a direção dos trabalhadores e não repartindo as terras em pequenas propriedades, o que acabaria com sua alta produtividade. Em síntese, é preciso levar a cabo a revolução agrária, como parte da luta pela revolução socialista.

A enorme mecanização que vem ocorrendo no campo, o emprego e o uso crescente do trabalho assalariado, o domínio sobre a quase totalidade da produção agrícola e da pecuária de grandes monopólios financeiros, industriais e bancários, a posse de terra nas mãos da burguesia não deixam dúvidas sobre o predomínio do capitalismo na agricultura brasileira e, conseqüentemente, de que a principal contradição no campo hoje é entre uma burguesia dona dos meios de produção e, de outro lado, o proletariado rural e os camponeses pobres. A luta pela terra em um país atrasado, com um desenvolvimento desigual e combinado, onde convivem, lado a lado, a mais recente tecnologia de ponta na produção agrária desenvolvida por grandes empresas capitalistas com a agricultura de subsistência, justificam plenamente essas duas consígnias — reforma agrária e revolução agrária — tarefas que se completam. Como dizia Trotsky: "Os problemas centrais desses países coloniais e semicoloniais são: a revolução agrária, isto é, a liquidação da herança feudal, e a independência nacional, isto é, a derrubada do jugo imperialista. Estas duas tarefas estão estreitamente ligadas uma à outra" (Trotsky, Programa de Transição). Expropriar a burguesia agroindustrial e os latifundiários é tarefa colocada para o proletariado rural e os lutadores classistas sem-terra, que devem ter a certeza que só a sua ação direta guiada por um programa e um partido revolucionário, efetivando a aliança operária e camponesa, pode derrotar o poder capitalista no campo e na cidade!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PSTU e PSOL tocam cornetas com a burguesia corrupta deste pais!



Por Carlos Alberto

 O reformismo, segundo o Arquivo Marxista da Internet
É uma corrente política no seio do movimento operário, que nega a necessidade da luta de classes, a revolução socialista e a ditadura do proletariado, é favorável à colaboração entre as classes e aspira converter o capitalismo numa sociedade de "prosperidade geral" com a ajuda das reformas aplicadas no marco da legalidade burguesa. Surgiu no último quarto do século XIX e se difundiu entre os partidos social-democratas. Em 1954, o Reformismo proclamou como sua doutrina oficial o "socialismo democrático", oposto ao "comunismo científico" e orientado a adaptar o capitalismo às novas condições históricas sem mudar a sua natureza.


Vamos ao entendimento das ações políticas recentes, mas históricas do PSTU e do PSOL! Um nasceu sonhando com o capitalismo e o outro nasceu como tal.


"Um" apóia a primavera árabe pelo qual chama de revolução que, na verdade é uma ponta de lança imperialista para a derrubada dos governos nacionalistas burgueses da região, inclusive defendem que a OTAN bombardeie e arme os traidores árabes...

O "outro" (que também apoia a OTAN) é aliado do asqueroso José pé na cova Sarney já vai tarde que,  em síntese,   é o proprietario dos estados do Maranhão e do Amapá, mas,  que os “Psolistas” tem admiração e respeito. Além disso o Partido da Solidariedade com a Ford Veículos do Brasil, também toca cornetas com o partido morenista...


Agora, ou melhor, desde sempre ambos sonham estarem mais bem representados no congresso dos ricos para poderem galgar condições financeiras melhores,  como exemplo: Mandatos particulares que titulam como populares que rendem a bagatela de mais de 100 mil reais por mês, sem contar os conchavos e as emendas lucrativas e fisiológicas negociáveis...


Por conta das eleições que se avizinham, os dois siameses estão querendo formar uma frente de esquerda (que anda e olha para a direita) em parceria com o PCB.


Como ex-militante e ex candidato a Vereador do PCB durante a minha militância de 1989 a 1998 eu pergunto: E a militância do partidão foi ouvida e houve debates? Ou está sendo como nas eleições municipais de 1992 em Florianópolis que, logo após o congresso do racha em São Paulo (fui delegado por SC e candidato derrotado ao Comitê Central, inclusive recebi apoio de setores da OPPL hoje PCML), os donos do partidão em Santa Catarina (Professores da UFSC) enfiaram guela abaixo do partido um candidato que declarava publicamente de que não era marxista e, anteriormente havia procurado o PDT e o PcdoB para sair candidato de ambos...





Contra tudo o que exaustivamente debatemos no congresso realizado no Teatro Záccaro*, localizado no Bairro Bixiga em São Paulo/SP, e que foi a razão mestra do racha, o diretório  municipal do PCB em Florianópolis naqueles dias agiu com fisiologismo junto ao ex-MSR que, é nos dias de hoje parte do gabinete e base de apoio ao Deputado Sargento Soares do PDT.


"Santinho" das eleições municipais do ano de 1992 em Florianópolis SC - O nº 79 (histórico) do PCB foi em decorrência da disputa espúria com Roberto Freire que havia registrado a sigla PCB como invenção sua junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, pasmem...


Eu imagino que o PCB (referencia política aos militantes marxistas revolucionários), vá cometer mais este erro histórico do nada pelo nada...


Ora, o meu questionamento é baseado na caminhada de ambos os partidos “Um” e “Outro” que há  muito tempo tem pisado nos tomates  em relação as causa populares, revolucionárias e de interesses vitais dos movimentos sociais, ao declararem publicamente apoio as greves da Policia Militar, do “DOPS” (se existisse) e que na ante-sala do apoio finge defender as causas sociais, tendo como exemplo a comunidade de Pinheirinho massacrada pela PM, e recentemente deu apoio incondicional aos bate-pau da burguesada na repressão aos Black Blocs, que são na verdade a linha de defesa e ataque espontânea dos movimentos sociais de massa...




Vale lembrar que ficou visto a “olhos nu” as trairagens do PSTU e do PSOL durante as manifestações que se iniciaram no mês de junho deste ano de 2013.


Defensores de manifestações de cordeirinhos, eles estão tentando arrastar o PCB para a cova política da história...


Bem, alguns teóricos irão dizer: O que uma coisa tem a ver com outra?


Muito! Trata-se de agentes siameses aos ideais da burguesia...


A pergunta que não quer calar: O que os movimentos sociais ganham com a eleição de candidatos de partidos políticos reformistas e traidores?

(*) Corrigindo o texto mais acima, vale lembrar que o Congresso do racha iniciou-se no Teatro Záccaro, onde nossas lideranças fizeram um discurso político e a seguir saímos em caminhada pelo bairro do Bexiga em direção ao Colegio Rooselvet, no bairro Liberdade, local onde concluímos o nosso congresso, já que o outro da criação do PPS nós o consideramos espúrio.


OPPL - Organização Popular Para Lutar que hoje se denomina Partido Comunista Marxista Leninista que também publica o Jornal revolucionário Inverta...

domingo, 10 de novembro de 2013

Governo xenófobo do PT e a Polícia Federal permitem que fazendeiros do MS organizem milícia criminosa para matarem índios Guarani-Kaiowá!



Segundo o Correio do Estado (MS) “Organizar e preparar a sua milícia armada para a guerra declarada contra os índios Guarani Kaiowá”, este é o objetivo dos fazendeiros criminosos que se reuniram na Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul)



Os poderosos do campo e das contas bancárias invadiram as áreas indígenas históricas, destruíram a natureza e estão caçando e matando os índios como se animais fossem.



Não obstante, a corja de invasores “cara pálida” está armada até os dentes, e ameaça as autoridades de que expulsarão os índios a bala caso o governo federal não cumpra com sua promessa de lesa cofres (pagamento das terras que são indígenas para aqueles que as invadiram), e dizem: Estamos de saco cheio (de munição) e prontos para o combate...




O foco “principal” da milícia criminosa dos ”Jaguaras” fazendeiros de confusão é o de ampliar o agronegócio "nefasto" ao meio ambiente e as etnias originárias do Brasil...

O olhar 
“xenófobo” do governo  de Dilma "essência búlgara" Rousseff não lhe permite enxergar as etnias indígenas como prioridade na demarcação de terras.





Enfim, caberá aos índios ocuparem aquilo que historicamente lhes pertencem, mesmo sem a anuência do governo xenófobo e burguês de Dilma "essência búlgara"  Rousseff...


Segundo os Xamãs, o antídoto é extraído do próprio veneno...




Em ralação ao prazo dado pelos fazendeiros (22/11), vale lembrar que as terras sempre foram "nossas" e os únicos invasores sãos os netos, os bisnetos e tataranetos dos portugueses, holandeses, alemães, "búlgaros Rousseffes", alemães, franceses, italianos, ongueiros carreiristas, e os padrecos e as madrecas bio-piratas da "Teologia da mentira" que estão ali fazendo politicagem a serviço da "eternização" de suas instituições e dogmas perversos...  


Na verdade as áreas em questão tem de serem expropriadas e os "fazendeiros de confusão" receberem um lote popular de 5X12 m² na periferia de São Paulo para provarem do veneno que distilam as vidas alheias... Criar um tribunal popular seria um "santo" remédio para os invasores das terras indígenas...

Então, os "jaguaras" estão ameaçando os índios... 


Bem que nos dá vontade (eu e a torcida do flamengo) de ensinar aos índios aquilo que sempre soubemos fazer, ou seja, armadilhas de estacas"Punji" ao estilo vietnamita... Teto baiano, muro malaio, fura cara, quebra canela entre outras mais sofisticadas com o uso de armas e pólvoras. 



Imagine índios jogando flechas metálicas estilo bestas etc. Viver em condições excepcionais os índios sabem, então... 



Ah, mas os covardes ou os deixa disso (somente se os fazendeiros e os jagunços estiverem levando na tarraqueta), irão dizer: Guerra não! Violência não! 



Então táh doutor, antes que o caldo entorne vai lá ao curral dos jaguaras e os desarme. 



Afinal, em algum momento a situação vai virar negativa para os fazendeiros, acredite se quiser... Já chega de ver índio assassinado covardemente e ninguém fazer nada. Só irão levantar a crista quando rolar cabeças de cara-pálida... 



Ou então outros dirão: O cara ali está maluco e blefando, não sabe o que diz... 



Ora, o que está acontecendo nas áreas indígenas históricas é exatamente isso... 



O agronegócio está avançando como em guerra de guerrilhas... 



Vai eliminando algumas lideranças no tempo da história e ocupando os espaços deixados a descoberto (índios aterrorizados e em fuga pelas estradas). 



Os fazendeiros vão erguendo fazendas, transportando o gado de um lado para o outro e desmatando criminosamente a região para inviabilizar a permanência do índio em terra arrasada, e cada fazenda erguida torna-se um posto avançado na linguagem militar... 



Na verdade a guerra já está estabelecida e, só não vê quem não quer!



Mas, isso ai tem de ter um final...



Muito mais do que uma questão jurídica de fato,  as demarcações das áreas indígenas não ocorrem no Brasil, por uma questão de ordem moral e ética chamada de "xenofobia", que está incrustada no pensamento político e ideológico dos governantes...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários?

Os Revolucionários Devem Atuar nos Sindicatos Reacionários?
[Do Livro: A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo]

V. I. Lênin

Maio de 1920


Primeira Edição: Escrito em abril/maio de 1920. Publicado em julho do referido ano em livro separado. Encontra-se in Obras, t. XXXI, págs. 29/37.
Fonte: Editorial Vitória Ltda., Rio, novembro de 1961. Traduzido por Armênio Guedes, Zuleika Alambert e Luís Fernando Cardoso, da versão em espanhol de Acerca de los Sindicatos, das Ediciones em Lenguas Extranjeras, Moscou, 1958. Os trabalhos coligidos na edição soviética foram traduzidos da 4.ª edição em russo das Obras de V. I. Lênin, publicadas em Moscou pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, anexo ao CC do PCUS. As notas ao pé da página sem indicação são de Lênin e as assinaladas com Nota da Redação foram redigidas pelos organizadores da edição do Instituto de Marxismo-Leninismo. Capa e planejamento gráfico de Mauro Vinhas de Queiroz. Pág: 279-287.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


VI - Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários?

capa
Os “esquerdistas” alemães acham que podem responder a esta pergunta com uma negativa absoluta. Na sua opinião, o falatório e os gritos encolerizados contra os sindicatos “reacionários” e “contrarrevolucionários” (K. Horner destaca-se pela “seriedade” e estupidez com que faz isto) bastam para “demonstrar” a inutilidade e até a inadmissibilidade da atuação dos revolucionários, os comunistas, nos sindicatos amarelos, social-chauvinistas, conciliadores e dos legienistas.


Mas por muito convencidos que estejam os “esquerdistas” do caráter revolucionário de semelhante tática, ela é, na realidade, profundamente errônea e não contém mais do que frases vazias.
Para esclarecer o que digo partirei de nossa própria experiência, conforme o plano geral deste folheto, que tem por objetivo aplicar à Europa ocidental o que a história e a tática atual do bolchevismo têm de aplicável, importante e obrigatório em toda parte.


A correlação entre chefes, partido, classe e massa e, ao mesmo tempo, a atitude da ditadura do proletariado e de seu partido no que concerne aos sindicatos apresenta-se entre nós atualmente da seguinte forma concreta: a ditadura é exercida pelo proletariado organizado nos sovietes e dirigido pelo Partido Comunista Bolchevique que, segundo os dados do último congresso (abril de 1920) conta com 611 000 membros. O número de filiados oscilou muito, tanto antes como depois da Revolução de Outubro, e foi mesmo consideravelmente menor em 1918/1919. Receamos ampliar excessivamente o Partido porque os arrivistas e aventureiros, que nada merecem além de ser fuzilados, tendem inevitavelmente a infiltrar-se no partido governante. 


A última vez em que abrimos de par em par as portas do Partido — exclusivamente para operários e camponeses — foi nos dias (inverno de 1919) em que Iudenitch estava a algumas verstas de Petrogrado eDenikin estava em Oriol (a umas trezentas e cinquenta verstas de Moscou), isto é, quando a República Soviética corria um perigo terrível, mortal, e os aventureiros, arrivistas, aproveitadores e, em geral, todos os elementos instáveis não podiam, de modo algum, esperar fazer uma carreira vantajosa (a não ser contar com a forca e as torturas) se aderissem aos comunistas.


 O Partido, que convoca congressos anuais (no último a representação foi de um delegado para cada mil militantes), é dirigido por um Comitê Central de 19 membros, eleito no Congresso; a gestão dos assuntos cotidianos é exercida em Moscou por dois organismos ainda mais restritos, denominados Birô de Organização e Birô Político, eleitos em sessões plenárias do Comitê Central e de cada um desses dois organismos participam cinco membros do C.C. Encontramo-nos, por conseguinte, em presença de uma verdadeira “oligarquia”. Nenhuma questão importante, política ou de organização, é resolvida por qualquer instituição estatal de nossa República sem as diretrizes do Comitê Central do Partido.


Em seu trabalho, o Partido apoia-se diretamente nos sindicatos que têm agora, segundo os dados do último congresso (abril de 1920), mais de quatro milhões de filiados e que, no aspecto formal, são sem partido. De fato, todas as instituições dirigentes da imensa maioria dos sindicatos e sobretudo, naturalmente, a central, ou birô sindical de toda a Rússia (Conselho Central dos Sindicatos da Rússia) compõem-se de comunistas e aplicam todas as diretrizes do Partido. 


Obtém-se, no conjunto, um aparelho proletário, formalmente não comunista, flexível e relativamente amplo, poderosíssimo, por meio do qual o Partido está ligado estreitamente à classe e às massas e através do qual se exerce, sob a direção do Partido, a ditadura da classe. É claro que nos teria sido impossível governar o país e exercer a ditadura, já não digo dois anos e meio, mas nem sequer dois meses e meio, se não houvesse a mais estreita ligação com os sindicatos, seu apoio entusiasta, seu abnegadíssimo trabalho tanto na organização econômica como na militar. 


Como se pode compreender, esta estreitíssima ligação significa, na prática, um trabalho de propaganda e agitação muito complexo e variado, reuniões oportunas e frequentes, não apenas com os dirigentes, mas em geral com os militantes que têm influência nos sindicatos, e também uma luta decidida contra os mencheviques, que conservaram até hoje um certo número de partidários — muito pequeno, é verdade — aos quais ensinam todas as artimanhas da contrarrevolução, desde a defesa ideológica da democracia (burguesa) e a pregação da “independência” dos sindicatos (independência... em relação ao poder estatal proletário!) até a sabotagem à disciplina proletária, etc, etc.


Reconhecemos que o contacto com as “massas” através dos sindicatos não é suficiente. No transcorrer da revolução criou-se em nosso país, na prática, um organismo que procuramos a todo custo manter, desenvolver e ampliar: as conferências de operários e camponeses sem partido, que nos permitem observar o estado de espírito das massas, aproximarmo-nos delas, corresponder a seus anseios, promover seus melhores elementos aos postos do Estado, etc. Um decreto recente sobre a transformação do Comissariado do Povo de Controle do Estado em “Inspeção Operária e Camponesa” concede a estas conferências sem partido o direito de eleger membros para o Controle do Estado encarregados das mais diversas funções de revisão, etc.


Além disso, como é natural, todo o trabalho do Partido se realiza através dos sovietes, que agrupam as massas trabalhadoras, sem distinção de profissão. Os congressos de distrito dos sovietes representam uma instituição democrática como jamais se viu nas melhores repúblicas democráticas do mundo burguês. Por meio destes congressos (cujo trabalho o Partido procura acompanhar com a maior atenção possível) assim como através da designação constante dos operários mais conscientes para diversos cargos nas povoações rurais, o proletariado exerce sua função dirigente com respeito ao campesinato, realiza-se a ditadura do proletariado urbano, a luta sistemática contra os camponeses ricos, burgueses, exploradores e especuladores, etc.


Esse é o mecanismo geral do poder estatal proletário examinado “desde cima”, do ponto de vista da realização prática da ditadura. É de esperar que o leitor compreenda porque o bolchevique russo, que conhece este mecanismo e o viu nascer dos pequenos círculos ilegais e clandestinos no decurso de 25 anos, não pode deixar de achar ridículas, pueris e absurdas todas as discussões sobre a ditadura “de cima”ou “de baixo”, a ditadura dos chefes ou a ditadura das massas, etc, do mesmo modo que seria ridículo, pueril e absurda uma discussão sobre a maior ou menor utilidade que a perna esquerda ou o braço direito têm para o homem.


Também não podemos deixar de achar um absurdo ridículo e pueril as argumentações ultra sábias, empoladas e terrivelmente revolucionárias dos esquerdistas alemães a respeito de ideias como: os comunistas não podem nem devem atuar nos sindicatos reacionários; é lícito renunciar a semelhante atividade; é preciso sair dos sindicatos e organizar obrigatoriamente uma “união operária” completamente nova e completamente pura, inventada pelos comunistas muito simpáticos (e na maioria dos casos, provavelmente, muito jovens), etc, etc.


O capitalismo lega inevitavelmente ao socialismo, de um lado, as velhas diferenciações profissionais e corporativas entre os operários, formadas no transcurso dos séculos, e, de outro, os sindicatos, que só muito lentamente, através dos anos, podem transformar-se, e se transformarão, em sindicatos de indústria mais amplos, menos corporativos (que englobam indústrias inteiras e não apenas corporações, ofícios e profissões). 


Depois, através destes sindicatos de indústria, passar-se-á a suprimir a divisão do trabalho entre os homens e a educar, instruir e formar homens universalmente desenvolvidos e universalmente preparados, homens que saberão fazer tudo. O comunismo marcha e deve marchar para esse objetivo, que será atingido, mas somente dentro de muitos anos. Tentar, atualmente, antecipar-se na prática a esse resultado futuro de um comunismo que chegou ao fim de seu completo desenvolvimento, solidez e formação, de sua total realização e de seu amadurecimento é o mesmo que querer ensinar matemáticas superiores a uma criança de quatro anos.


Podemos (e devemos) empreender a construção do socialismo não com um material humano fantástico nem especialmente criado por nós, mas com aquilo que o capitalismo nos deixou como herança. Não é necessário dizer que isto é muito “difícil”; mas, qualquer outro modo de abordar o problema é tão pouco sério que nem vale a pena falar dele.


Os sindicatos representaram um progresso gigantesco da classe operária nos primeiros tempos do desenvolvimento do capitalismo, uma vez que significavam a passagem da dispersão e da impotência dos operários aos rudimentos da união de classe. Quando a forma superior de união de classe dos proletários começou a desenvolver-se, o partido revolucionário do proletariado (que não merecerá este nome enquanto não souber ligar os líderes à classe e às massas em um todo único e indissolúvel), os sindicatos começaram a manifestar fatalmente certos traços reacionários, certa estreiteza gremial, certa tendência ao apoliticismo, certo espírito rotineiro, etc. Mas o desenvolvimento do proletariado não se realizou e nem podia realizar-se em nenhum país de outra maneira senão por meio dos sindicatos e por sua ação conjunta com o partido da classe operária. 


A conquista do poder político pelo proletariado representa um progresso gigantesco deste, considerado como classe, e o Partido deve consagrar-se mais, de modo novo e não apenas pelos processos antigos, a educar os sindicatos, a dirigi-los, sem esquecer também que estes são e serão durante muito tempo uma necessária “escola de comunismo”, uma escola preparatória dos proletários para a realização de sua ditadura, a associação indispensável dos operários para a passagem gradual da direção de toda a economia do país às mãos da classe operária (e não de umas e outras profissões), primeiro, e depois, às mãos de todos os trabalhadores.


Na ditadura do proletariado é inevitável certo “espírito reacionário” dos sindicatos, no sentido assinalado. Não compreender isso significa não compreender absolutamente as condições fundamentais da transição do capitalismo ao socialismo. Temer este “espírito reacionário”, tentar prescindir dele, ignorá-lo, é uma grande tolice, pois equivale a temer o papel de vanguarda do proletariado, que consiste em instruir, ilustrar, educar, atrair para uma vida nova as camadas e as massas mais atrasadas da classe operária e do campesinato. 


Por outro lado, adiar a ditadura do proletariado até que não reste um só operário de estreito espírito profissional, nenhum operário com preconceitos corporativistas e trade-unionistas, seria um erro ainda mais grave. A arte do político (e a compreensão acertada no comunista de seus deveres) consiste, precisamente, em saber aquilatar com exatidão as condições e o momento em que a vanguarda do proletariado pode tomar vitoriosamente o poder; em que pode, durante a tomada do poder e depois dela, conseguir um apoio suficiente de setores bastante amplos da classe operária e das massas trabalhadoras não proletárias; em que pode, uma vez obtido esse apoio, manter, garantir e ampliar seu domínio, educando, instruindo e atraindo massas cada vez mais amplas de trabalhadores.


Prossigamos. Nos países mais adiantados que a Rússia se fez sentir, e devia fazer-se sentir de modo muito mais acentuado, certamente, que no nosso, certo espírito reacionário dos sindicatos. Aqui, os mencheviques tinham (e em parte ainda têm em um pequeníssimo número de sindicatos) apoio entre os sindicatos, graças, precisamente, a essa estreiteza corporativa, a esse egoísmo profissional e ao oportunismo. Os mencheviques do Ocidente “entrincheiraram-se” muito mais solidamente nos sindicatos, e lá surgiu uma camada muito mais forte do que em nosso país da “aristocracia operária” profissional, mesquinha, egoísta, desalmada, ávida, pequeno-burguesa, de espírito imperialista, subornada e corrompida pelo imperialismo. Isto é indiscutível. 

A luta contra os Gompers, contra os senhores Jouhaux, Henderson, Merrheim, Legien e Cia na Europa ocidental é muito mais difícil que a luta contra nossos mencheviques, que representam um tipo social e político completamente homogêneo. É preciso desencadear esta luta implacavelmente e continuá-la de maneira obrigatória, como o fizemos, até desmoralizar e desalojar dos sindicatos todos os chefes incorrigíveis do oportunismo e do social-chauvinismo.


 É impossível conquistar o poder político (e não se deve nem pensar em tomar o poder político) enquanto esta luta não tiver alcançado “certo grau”; este “certo grau” não é o mesmo em todos os países e em todas as condições, e só dirigentes políticos do proletariado sensatos, experimentados e competentes podem determiná-lo com acerto em cada país. (Na Rússia as eleições de novembro de 1917 para a Assembleia Constituinte, alguns dias depois da revolução proletária de 25 de outubro de 1917, entre outras coisas, nos deram a medida exata do êxito nesta luta. Nas referidas eleições, os mencheviques sofreram fragorosa derrota, obtendo 700 000 votos — 1 400 000 contando os da Transcaucásia — contra os 9 000 000 conseguidos pelos bolcheviques. Veja-se o meu artigo As Eleições Para a Assembleia Constituinte e a Ditadura do Proletariado, no número 7/8 de "A Internacional Comunista").


Mas sustentamos a luta contra a aristocracia operária em nome das massas operárias e para ganhá-las para o nosso lado, sustentamos a luta contra os chefes oportunistas e social-chauvinistas para ganhar a classe operária. Seria estupidez esquecer esta verdade mais que elementar e mais que evidente. E é essa, precisamente, a estupidez que cometem os comunistas alemães “de esquerda”, que deduzem docaráter reacionário e contrarrevolucionário dos chefetes dos sindicatos que é preciso... sair dos sindicatos!!, renunciar ao trabalho neles!!, criar formas de organização operárias novas, inventadas!! Uma estupidez tão imperdoável, que equivale ao melhor serviço que os comunistas podem prestar à burguesia. 


Isso porque nossos mencheviques, como todos os líderes sindicais oportunistas, social-chauvinistas e kautskistas, não são mais que “agentes da burguesia no movimento operário” (como sempre dissemos ao nos referir aos mencheviques) ou, em outras palavras, os “lugar-tenentes operários da classe capitalista” (labor lieutenants of the capitalist class), de acordo com a magnífica expressão, profundamente exata, dos discípulos de Daniel de León nos Estados Unidos. Não atuar no seio dos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou atrasadas à influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia, dos operários aristocratas ou “operários aburguesados” (veja-se a carta de Engels a Marx em 1858 sobre os operários ingleses).


A absurda “teoria” da não participação dos comunistas nos sindicatos reacionários é o que, precisamente, demonstra do modo mais evidente com que leviandade estes comunistas “de esquerda” encaram a questão da influência sobre as massas e de que maneira abusam de sua algazarra sobre as “massas”. Para saber ajudar a “massa” e conquistar sua simpatia, adesão e apoio é preciso não temer as dificuldades, mesquinharias, armadilhas, insultos e perseguições dos “chefes” (que, sendo oportunistas e social-chauvinistas, estão, na maioria dos casos, relacionados direta ou indiretamente ,com a burguesia e a polícia), e deve-se trabalhar obrigatoriamente onde estejam as massas. 


É preciso saber fazer toda a sorte de sacrifícios e vencer os maiores obstáculos para realizar uma propaganda e uma agitação sistemáticas, tenazes, perseverantes e pacientes exatamente nas instituições, associações e sindicatos, por mais reacionários que sejam, onde haja massas proletárias ou semiproletárias. E os sindicatos e as cooperativas operárias (estas últimas pelo menos em alguns casos) são precisamente as organizações onde as massas se encontram. Na Inglaterra, segundo dados publicados pelo jornal sueco Folkets Dagblad Politiken a 10 de março de 1920, o número de membros das trade-unions, que nos fins de 1917, era de 5 500 000, elevou-se nos fins de 1918 a 6 600 000, isto é, aumentou em 19%. Nos fins de 1919, seus efetivos atingiam, segundo cálculos, a 7 500 000. Não tenho em mãos as cifras correspondentes à França e à Alemanha; mas alguns fatos, inteiramente indiscutíveis e conhecidos de todos, atestam o notável incremento do número de membros dos sindicatos também nesses países.


Estes fatos provam com toda clareza o que é confirmado por outros milhares de sintomas: o crescimento da consciência e dos anseios de organização justamente nas massas proletárias, em suas “camadas inferiores”, atrasadas. Na Inglaterra, França e Alemanha, milhões de operários passam pela primeira vez da completa falta de organização à forma mais elementar e inferior, mais simples e acessível (para os que se acham ainda impregnados por completo de preconceitos democrático-burgueses) de organização: os sindicatos; e os comunistas de esquerda, revolucionários, mas insensatos, ficam de lado, gritam: “Massa! Massa!”, mas se negam a atuar nos sindicatos(!!) pretextando seu “espírito reacionário(!!) e inventam uma “união operária” novinha em folha, pura, isenta de todo preconceito democrático-burguês, de todo pecado corporativo e de estreiteza profissional, que será (que será!), dizem, ampla e que exige dos seus aderentes somente (somente!) o “reconhecimento do sistema dos sovietes e da ditadura” (veja-se a citação feita acima)!!


É impossível conceber maior loucura, maior dano causado à revolução pelos revolucionários “de esquerda”! Se hoje, na Rússia, depois de dois anos e meio de triunfos sem precedentes sobre a burguesia da Rússia e da Entente, estabelecêssemos como condição para o ingresso nos sindicatos o “reconhecimento da ditadura”, faríamos uma asneira, nossa influência sobre as massas deixaria de existir, e ajudaríamos os mencheviques, pois a tarefa dos comunistas consiste em saber convencer os mais atrasados, saber atuar entre eles e não em isolar-se deles através de palavras de ordem sacadas da cabeça e infantilmente “esquerdistas”.


Não há dúvida de que os senhores Gompers, Henderson, Jouhaux e Legien ficarão muito agradecidos a esses revolucionários “de esquerda”, que, como os da oposição “de princípio” alemã (que o céu nos livre de semelhantes “princípios”!) ou alguns revolucionários dosTrabalhadores Industriais do Mundo nos Estados Unidos, pregam a saída dos sindicatos reacionários e a renúncia à atuação neles. 


Não duvidamos de que os senhores “chefes” do oportunismo recorrerão a todas as artimanhas da diplomacia burguesa, à ajuda dos governantes burgueses, dos padres, da polícia e dos tribunais para impedir a entrada dos comunistas nos sindicatos, para expulsá-los de lá por todos os meios e tornar o trabalho dos comunistas neles o mais desagradável possível, para ofendê-los, castigá-los e persegui-los. 


É preciso saber enfrentar tudo isso, estar disposto a todos os sacrifícios, empregar inclusive — em caso de necessidade — todos os estratagemas, ardis e processos ilegais, silenciar e ocultar a verdade com o objetivo de penetrar nos sindicatos, neles permanecer e ali realizar, custe o que custar, um trabalho comunista. Sob o regime tzarista, até 1905, não tivemos nenhuma “possibilidade legal”; mas quando o policialZubátov organizou suas assembleias e associações operárias ultra-reacionárias com o objetivo de perseguir os revolucionários e lutar contra eles, enviamos para ali membros de nosso Partido (lembro entre eles o camarada Babushkin, destacado operário peterburguense, fuzilado em 1906 pelos generais tzaristas), que estabeleceram contacto com a massa, conseguiram agitá-la e arrancar os operários da influência dos agentes de Zubátov(1). Naturalmente é mais difícil atuar assim nos países da Europa ocidental, particularmente impregnados de preconceitos legalistas, constitucionalistas e democrático-burgueses muito arraigados. Mas se pode e deve fazer isso de modo sistemático.


O Comitê Executivo da III Internacional deve, na minha opinião, condenar abertamente e propor ao próximo Congresso da Internacional Comunista que condene em geral a política de não participação nos sindicatos reacionários (explicando detalhadamente a insensatez que representa esta não participação e o imenso prejuízo que causa à revolução proletária) e, em particular, a linha de conduta de alguns membros do Partido Comunista Holandês, que (direta ou indiretamente, às claras ou disfarçadamente, total ou parcialmente, tanto faz) realizaram esta política falsa. 


A III Internacional deve romper com a tática da II e não encobrir nem ocultar as questões escabrosas, mas colocá-las cruamente. Dissemos cara a cara toda a verdade aos “independentes” (Partido Social-Democrata Independente da Alemanha); do mesmo modo, é preciso dizê-la aos comunistas “de esquerda”.