quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Exército "Títere e Fascista" dos golpistas reprime manifestações em Honduras!


Na noite desta terça-feira (22), partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltaram a enfrentar a tropa de choque na capital. Manifestantes são acusados pelo governo de vandalismo.




Confronto entre polícia e adeptos de Zelaya mata 1 em Honduras, diz agência. Morte ocorreu em distrito pobre da capital, Tegucigalpa, na noite de terça. Presidente deposto por golpe voltou de surpresa ao país na segunda.
Um militante favorável ao presidente deposto de Honduras morreu na noite de terça-feira (22) em confronto com a polícia, segundo fontes policiais ouvidas pela agência Reuters.

A morte ocorreu em Flor del Campo, um distrito pobre da capital, Tegucigalpa. A vítima é um homem de 65 anos.É a primeira relatada desde segunda-feira, quando Manuel Zelaya voltou de surpresa ao país e abrigou-se na Embaixada do Brasil, em Tegucigalpa, criando um impasse político e diplomático.




 Entidades de defesa dos direitos humanos já haviam reportado pelo menos duas mortes decorrentes de confrontos, mas o governo interino de Roberto Micheletti não confirmou.


Milhares de hondurenhos enfrentaram nesta quarta-feira longas filas em supermercados, postos de combustíveis e bancos para se abastecer durante as seis horas de suspensão do toque de recolher decretado pelo governo interino. A interrupção ocorre sob tensão por uma onda de violência e a divulgação, pelo jornal "El Pais", da primeira vítima dos confrontos.





Segundo o jornal espanhol, Francisco Alvarado, 65, é a primeira vítima dos confrontos desta terça-feira, quando a polícia e o Exército tentaram reprimir as manifestações em favor do presidente deposto, Manuel Zelaya, que está refugiado desde segunda-feira (21) na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

O jornal, que cita a irmã de Alvarado, María, diz que o homem morreu com um tiro durante confronto entre seguidores do Zelaya e a polícia no bairro de Flor del Campo, no sul de Tegucigalpa, quando ia comprar suco em uma loja.


Alavarado, ainda segundo o jornal, não participava da manifestação e foi atingido por um tiro no abdome. Ele morreu ao chegar ao hospital.



O porta-voz da polícia de Honduras, Orlin Cerrato, citado pela agência Efe, confirmou a morte de um homem. Ele não confirmou, contudo, a identidade da vítima e disse que as causas estão sob investigação.

Cerrato disse que o homem morreu em um hospital da capítal hondurenha. Ele negou a versão dada por Zelaya na noite desta terça-feira de que ao menos seis pessoas morreram nos distúrbios.

Toque de recolher

O governo interino de Honduras suspendeu por ao menos seis horas o toque de recolher imposto no país desde segunda-feira (21), por causa do retorno do presidente deposto. A medida vale das 10h às 16h (13h às 19h no horário de Brasília) e foi anunciada pelo presidente interino, Roberto Micheletti, em entrevista ao canal de TV 10 de Honduras.


A medida, afirmou, visa a permitir que a população se abasteça de água, alimentos e outros produtos e é reflexo também da condição de segurança no país, apesar dos temores de que a volta de Zelaya ampliassem a violência que marcou a crise política.

"Vou comprar combustível para poder ir comprar comida, se não houver combustível, não há comida", disse Mario, 50, comerciante, enquanto aguardava sua vez em uma longa fila. "Há muita teimosia no governo de Micheletti", completou, sobre as cerca de 40 horas de toque de recolher impostas no país.

Luis Fernando López, arquiteto, disse que a situação está ruim no país e que comparava combustível na espera de vários dias da medida restritiva que deixou Tegucigalpa vazia e muitos comércios fechados.



Na capital, os principais supermercados e comércios similares já tinham filas na porta antes mesmo do horário oficial de suspensão do toque de recolher.

Em um supermercado em um bairro popular, os consumidores deixaram literalmente vazias as estantes, segundo constatou um repórter da agência Efe. A imprensa hondurenha informou que a situação é similar em outras cidades do país.


A mobilização dos consumidores ocorre em um clima tenso após os distúrbios da madrugada desta quarta-feira em várias partes da capital, quando apoiadores de Zelaya destruíram vários supermercados e comércios.


Cerco
Centenas de efetivos de segurança, alguns mascarados e outros portando armas automáticas, mantiveram nesta quarta-feira o cerco em uma área ao redor do prédio da embaixada do Brasil.

Zelaya está na embaixada brasileira com cerca de cem pessoas, incluindo apenas quatro funcionários da diplomacia brasileira. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a alimentação está sendo fornecida com regularidade, por representantes da ONU (Organização das Nações Unidas).

O fornecimento de água e luz foi restabelecido, mas o funcionamento dos telefones continua intermitente. A organização e limpeza das dependências da embaixada é feita pelas próprias pessoas que lá estão.




De acordo com o 22º artigo da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, os locais das Missões Diplomáticas (embaixadas e edifícios anexos) são invioláveis. Os agentes do estado acreditado (que recebe a embaixada) não podem penetrar neles sem o consentimento do chefe da missão.



O governo brasileiro disse que garantirá a proteção do presidente deposto dentro da embaixada e pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de emergência para discutir a pior crise na América Central em décadas.

Conhecimento

Zelaya confirmou em entrevista à Folha publicada nesta quarta-feira que o Brasil "não sabia" de seus planos. "Tomei a decisão de vir direto à embaixada por uma questão de estratégia, uma posição de reserva, para que o plano não corresse risco."

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil afirmou nesta terça-feira que o Brasil foi alertado pouco antes da viagem de Zelaya por uma deputada hondurenha favorável ao líder deposto.

O encarregado de Negócios da embaixada brasileira, o diplomata Francisco Catunda Rezende, avisou então o chanceler Celso Amorim que conversou com o presidente deposto por telefone quando este já estava na embaixada brasileira.
Segundo o Itamaraty, Zelaya disse ter buscado abrigo na embaixada para voltar para à Presidência por meio do diálogo e de forma pacífica.


Histórico

Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano, Hugo Chávez-- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.


Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.

 
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u628111.shtml

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